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É muito difícil organizar uma sociedade com as
características apontadas, conclui o Comentário:
"Não se fazem muitas Monarquias,
e se se fazem,
são em sua maioria Tiranias
em vez de verdadeiras Monarquias.
A razão é que a verdadeira Monarquia
deve ser um governo voluntário,
em que o monarca governe a súditos
que o aceitem voluntariamente
e que, ainda assim,
seja senhor de todos os principais do reino.
Ora, é muito difícil encontrar alguém
que governe desta maneira a muitos e voluntariamente
e que ao mesmo tempo seja digno de ser senhor
de todos os maiores do reino.
Uma outra razão é que, para isso,
a proporção da dignidade e da honra
do monarca para com os súditos
deve ser a mesma
que a da virtude do monarca
à virtude dos súditos.
A virtude do governante deve, portanto,
exceder a de todos ou da maioria;
nem sempre é possível encontrar alguém assim,
ou pelo menos é muito difícil.
Por isso,
quando alguém se torna monarca,
geralmente isso se dá
contra a vontade dos súditos,
e por isso mesmo não reina durante muito tempo.
Ora, se alguém reina recorrendo
à fraude ou à violência,
este não é o verdadeiro monarca,
mas um tirano que governa os súditos
contra a vontade deles" (68).
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